sexta-feira, 27 de junho de 2008

Respostas lesivas

O corpo humano é muito capaz de se adaptar às condições que exigem mais força muscular.

Os organismos tentam se manter funcionando de forma adequada regulando sua homeostasia (existem muitos mecanismos de controle envolvidos em respostas aos agentes estressores diversos). O treinamento físico é uma condição exógena de estresse e varia de acordo com os estímulos estressores (intensidade, duração e freqüência). O treinamento sempre busca o desequilíbrio da homeostasia dos sistemas biológicos de forma consistente com as possibilidades de adaptação do indivíduo.

A ocorrência de microlesões celulares está muito relacionada com o tipo de contração muscular que mais é solicitada durante a prática de determinado exercício físico. Existem 3 tipos de contração básicos, que levam em conta a magnitude do torque exercido pelo músculo em relação à carga aplicada (quociente de torque muscular/carga): se for igual a 1 (o torque do músculo e o da sobrecarga são equivalentes, não ocorre alteração do comprimento muscular e a contração é isométrica); se for maior que 1 (torque muscular é maior do que a força da sobrecarga, ocorrendo diminuição ou encurtamento do comprimento de repouso, sendo a contração concêntrica); se for menor que 1 (torque do músculo menor do que o torque devido à sobrecarga há alongamento ativo do músculo e a contração é excêntrica) (ENOKA, 1994).

São propostas duas teorias para explicar a relação entre exercício físico e microlesão tecidual (ARMSTRONG, 1990). Uma diz que a microlesão é resultado de efeitos tóxicos de produtos metabólicos dissipados pela célula (causa metabólica); a outra, que ela é induzida pelo efeito direto das forças resultantes de contrações excêntricas (causa mecânica).

A causa metabólica indica uma produção insuficiente de ATP em relação à demanda, podendo resultar em um quadro de degradação de estruturas protéicas, o que traz prejuízo para o citoesqueleto (RUBIN et al., 1996). Além disso, o exercício físico pode induzir a produção de radicais livres de oxigênio, levando a um aumento de distúrbios celulares, afetando principalmente proteínas e lipídios de membranas (ANTUNES NETO et al., 2005).

Na causa mecânica, por outro lado, há muitas evidências de que exercícios que se valem principalmente de contrações musculares excêntricas tendem a desencadear um número maior de respostas celulares lesivas, como distúrbios nas linhas Z e bandas A dos sarcômeros e rompimento do retículo sarcoplasmático (LIEBER et al., 1996; TEAGUE, SCHWANE, 1995; NOSAKA, CLARKSON, 1994).

A estrutura e função do retículo sarcoplasmático podem ser alteradas pela execução de exercícios excêntricos, com um possível distúrbio nos mecanismos de liberação e recapturação de cálcio (WARREN et al., 1993). A desetruturação celular seria conseqüência da instabilidade mecânica gerada pela contração excêntrica, alterando o padrão de transmissão de força através das estruturas do sistema músculo-esquelético e rompimento de ligações eletrostáticas entre actina e miosina. Ou seja, o movimento excedente característico da contração excêntrica gera força adicional nas estruturas estabilizadoras do sarcômero, com um simultâneo estresse mecânico, para a separação do complexo actomiosina.

A enzima Creatina Quinase (CK) plasmática, segundo fortes evidências, pode ser um forte marcador de alterações da célula muscular (ANTUNES NETO et al., 2006). Microlesões causadas pelo treinamento de força muscular principalmente

 

Respostas celulares lesivas

 

Alterações celulares ocorrem nos músculos submetidos a atividades de força tanto em indivíduos que não as realizam rotineiramente (desestabilização do sarcolema e extravasamento de creatina quinase no plasma) quanto em sujeitos adaptados ao treinamento de força (indução de circunstância crônica de distúrbios celulares, possibilitando que eventos regulatórios compensatórios ocorram). As alterações celulares podem, subseqüentemente ao estresse mecânico, induzir alterações em níveis de substrato, elevação da temperatura celular, produção de radicais livres, queda de pH (o meio torna-se mais ácido) e aumento da concentração de Ca2+ no citoplasma, cujo acúmulo pode alterar processos de síntese e degradação (é capaz de ativar enzimas proteolíticas específicas, sensíveis à sua alta concentração). A concentração elevada de Ca2+ também favorece a ativação da Fosfolipase A2 (possui sítio de ligação de Ca2+), que pode ter vários efeitos degenerativos para as estruturas membranares (produção de detergentes de ácidos graxos e lisofosfolipídios, por exemplo). (ARMSTRONG, 1990) A liberação de ácidos graxos insaturados (principalmente o araquidônico) produz muitos intermediários inflamatórios, como prostaglandinas e leucotrienes. Hidroperóxidos (H2O2) são formados como intermediários da reação, iniciando a formação de radicais livres (FLOHÉ et al., 1985).

O estresse metabólico (razão ATP/ADP baixa) permite que a xantina desidrogenase se converta à xantina oxidase, que usa O2 como aceptor de elétrons, podendo gerar mais radicais livres de oxigênio e provocar lesões mais intensas no miócito (HELLSTEN et al., 1997).

O fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-I), homólogo à proinsulina, tem a ação de regular o crescimento e a diferenciação celular. Este fator sofre elevação ao mediar eventos inflamatórios, os quais, acredita-se, induzem o aumento de xantina oxidase no músculo. IGF-I e II aumentam transitoriamente em expressão durante a miogênese: a IGF-I se expressa mais na proliferação de mioblastos, enquanto a IGF-II pode estar mais relacionada com a diferenciação celular. Estudos mostram que em tecidos musculares esqueléticos lesados em situações isquêmicas, aumenta a expressão de IGF-I nas células satélites, mioblastos, miotubos e fibras musculares imaturas, o que sugere que este fator de crescimento seja capaz de estimular processos regenerativos no músculo. 

Logo, há uma estreita relação entre distúrbios celulares (como aumento de creatina quinase no plasma) e respostas adaptativas positivas. Percebe-se, então, que o que é prejudicial ou benéfico na bioquímica muscular não é fixo ou eterno, podendo um evento aparentemente prejudicial estimular uma adaptação benéfica. Acredita-se, portanto, que exista um limiar de alterações celulares aceitável para a ocorrência de adaptações positivas. Caso se instale um limiar acima do aceitável, os eventos de síntese podem se desintegrar e a estrutura inadequada de treinamento de força pode induzir lesões significativas no lugar de microlesões estimulativas.

A estimulação mecânica na fibra muscular tende a aumentar a sensibilidade tecidual à insulina e IGF-I, possibilitando a ocorrência de hipertrofia muscular. Uma possível relação bioquímica entre condição de estresse mecânico e resposta anabólica (como o aumento de síntese protéica) pode ser um aumento no transporte de aminoácidos resultante de alteração na membrana celular e em seus receptores (MILLWARD, 1980).

Deve ficar claro que a ocorrência de respostas hipertróficas musculares faz parte de um processo de adaptação biológica a longo prazo. É necessário, portanto, que o estímulo de força muscular aplicado seja planejado de forma coerente quanto ao seu volume, intensidade e capacidade de recuperação individual. Desta forma o sujeito estará sempre em situação de "alarme", com distúrbios dos eventos celulares na tentativa de mediar as respostas adaptativas. Assim, qualquer erro na alteração da carga de treinamento poderá provocar a fase de exaustão (outra fase de estresse), o que certamente afeta os mecanismos adaptativos e uma microlesão pode ter um impacto celular maior. 

Confira o artigo na íntegra:

http://www.brjb.com.br/files/brjb_21_1200712_id1.pdf

sábado, 21 de junho de 2008

Suplementos - Creatina

Suplementação de creatina anula o efeito adverso do exercício de endurance sobre o subseqüente desempenho de força

“O presente estudo teve como objetivo verificar se a suplementação de creatina exerce efeito ergogênico durante a execução do exercício concorrente.

Métodos: Dezesseis universitárias foram divididas aleatoriamente em dois grupos: placebo (P) e creatina (CRE).

(...)

Após o período de suplementação, os sujeitos realizaram o teste de corrida, no qual foram instruídos a percorrer a maior distância possível em 20 minutos. Imediatamente após o teste de corrida, os testes de 1-RM (uma repetição máxima) e de repetições máximas foram realizados novamente.

Resultados: Não foi observada diferença no desempenho do teste de 1-RM. Também não houve diferença no desempenho do teste de corrida. Após o teste de corrida, foi observado decréscimo no número de repetições máximas no grupo. Essa redução não foi observada no grupo creatina.

Conclusões: A execução do exercício de endurance provocou fadiga residual que afetou a capacidade de realização de repetições máximas a 80% do valor de um 1-RM. Uma das possíveis causas da fadiga no exercício de força está relacionada à depleção dos estoques de creatina-fosfato. Provavelmente, o maior conteúdo de creatina-fosfato, induzido pela suplementação, acelerou a ressíntese da ATP, servindo como um substrato energético adicional para o exercício concorrente.”

 

Leia o artigo completo:

 http://www.scielo.br/pdf/rbme/v11n2/a07v11n2.pdf

Exercício e depressão

Exercício semanal combate sintomas depressivos

Estudo britânico conclui que atividades domésticas podem melhorar a saúde mental

10.04.2008 - 15h03 PÚBLICO 

As limpezas domésticas podem ter um efeito positivo na saúde mental das pessoas. O estudo publicado no "British Journal of Sports Medicine" conclui que 20 minutos de exercício intensivo durante a semana podem reduzir sintomas depressivos.

"Muitos estudos sugerem que o exercício traz benefícios para a saúde mental, pela primeira vez fomos capazes de medir a quantidade de exercício que faz a diferença", disse Mark Hamer, da University College de Londres, onde este estudo foi realizado.

Noutra investigação, feita pelo Scottish Health Survey, concluiu-se que fazer exercício uma vez por mês reduzia 33 por cento o risco de estresse e ansiedade, enquanto que realizar tarefas domésticas ou caminhar reduzia 20 por cento o risco.

No entanto, limpar o pó ou correr para o autocarro não é suficiente para ver melhorias, já que o esforço tem que durar os 20 minutos e implica que as pessoas fiquem ofegantes.

Os investigadores ainda não conseguiram descobrir a ligação entre os dois factos, mas o exercício poderá reduzir alguns riscos que provocam a depressão como a intolerância à glicose, inflamações e problemas cardiovasculares. "Mas é como o ovo e a galinha", comentou Mark Hamer à BBCnews, "já que os que sofrem de estresse e ansiedade mais dificilmente fazem atividade física".

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1325439


Nem tanto...

Mas pelo menos 20 minutinhos.

Efeitos do exercicio sobre o emocional


“A preocupação com o bem-estar biopsicossocial do homem tem sido tema de uma série de estudos e contribuições. Esse artigo de revisão tem como objetivo básico auxiliar profissionais de diversas áreas, especialmente as ligadas as Ciências do Movimento Humano, a compreenderem,
de maneira ampla, o impacto dos problemas relacionados à saúde mental e suas manifestações mais comuns na sociedade atual: a ansiedade, a depressão, alterações de auto-imagem e auto-estima. Procurando oferecer maneiras
alternativas para se prevenir e auxiliar no tratamento desses problemas. O exercício físico, nesse contexto, tem se mostrado eficaz para modificá-las.”

Link: 

http://www.seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/viewArticle/2639


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Exercício e radicais livres

Revista Brasileira de Medicina do Esporte


“Na sociedade atual, onde a saúde e a estética são tão valorizadas, o estudo dos radicais livres adquiriu grande importância. Os radicais livres são formados pela redução incompleta do oxigênio, gerando espécies que apresentam alta reatividade para outras biomoléculas. O exercício físico agudo, em função do incremento do consumo de oxigênio, promove o aumento da formação de radicais livres. No entanto, o treinamento físico é capaz de gerar adaptações capazes de mitigar os efeitos deletérios provocados pelos radicais livres.


O interesse acerca dos mecanismos de geração e adaptação de radicais livres de oxigênio (RLO) ao exercício aumentou significativamente a partir da demonstração de sua relação com o consumo de oxigênio. Os RLO são formados pela redução incompleta do oxigênio, gerando espécies que apresentam alta reatividade paraoutras biomoléculas, principalmente lipídios e proteínas das membranas celulares e, até mesmo, o DNA. As injúrias provocadas por estresse oxidativo apresentam efeitos cumulativos e estão relacionadas a uma série de doenças, como o câncer, a aterosclerose e o diabetes. O exercício físico agudo, em função do incremento do consumo de oxigênio, promove o aumento da formação de RLO. No entanto, o treinamento físico é capaz de gerar adaptações capazes de mitigar os efeitos deletérios provocados pelos RLO.


Estas adaptações estão relacionadas a uma série de sistemas, dos quais os mais importantes são os sistemas enzimáticos, compostos pela superóxido dismutase, catalase e glutationa peroxidase, e o não enzimático, composto por ceruloplasmina, hormônios sexuais, coenzima Q, ácido úrico, proteínas de choque térmico e outros. Tais adaptações, apesar das controvérsias sobre os mecanismos envolvidos, promovem maior resistência tecidual a desafios oxidativos, como aqueles proporcionados pelo exercício de alta intensidade e longa duração. As técnicas de avaliação de estresse oxidativo, na maioria das vezes, não são capazes de detectar injúria em exercícios de curta duração. Dessa forma, esforços estão sendo feitos para o estudo de esforços físicos realizados por longos períodos de tempo ou efetuados até a exaustão. Novos marcadores de lesão por ação dos RLO estão sendo descobertos e novas técnicas para sua determinação estão sendo criadas.


Antioxidantes: compostos enzimáticos ou não enzimáticos, sintetizados pelo organismo ou obtidos pela dieta ou suplementação, como beta caroteno, vitaminas C e E e flavonóides."

Imagens: alimentos ricos em compostos antioxidantes.

Para saber mais, leia os artigos:

http://www.scielo.br/pdf/rbme/v10n4/22047.pdf

http://www.scielo.br/pdf/rn/v12n2/v12n2a01.pdf

E confira o blog de radicais: www.radicaisbiobio.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Endorfinas

Diferentes hipóteses têm sido propostas para explicar as alterações psicológicas induzidas pelo exercício. Dentre elas, a hipótese das endorfinas é utilizada como a explicação mais comum para este fenômeno.

Apesar da relação positiva entre exercício e saúde psicológica, grande parte da população não usufrui esses benefícios, já que apenas uma pequena parcela se exercita suficientemente e a outra grande parte é completamente sedentária. No Brasil, uma recente publicação revelou os dados contidos no gráfico abaixo:

Um dos grandes desafios para os pesquisadores tem sido desenvolver e testar uma teoria que explique porque e como o exercício altera o estado psicológico. Essa plausibilidade biológica tem sido testada e debatida por diversos autores através de hipóteses fisiológicas, psicológicas e psiconeurofisiológicas.

Hipóteses fisiológicas: termogênica e do fluxo sanguíneo cerebral; psicológicas: da distração e das interações sociais; do autocontrole, da auto-eficácia* e do aumento do autoconceito; da expectativa de mudança e hipótese da avaliação cognitiva ou do prazer pela atividade. Hipóteses psiconeurofisiológicas: das monoaminas; da lateralização cerebral e das endorfinas.

* Dentro desta linha de pensamento, torna-se evidente a necessidade e a importância do profissional de Educação Física, ao planejar as atividades a serem realizadas, respeitar e considerar os princípios do treinamento desportivo, como a adaptação e a sobrecarga progressiva, evitando cargas excessivas. Tem sido sugerido que o exercício, para proporcionar benefícios psicológicos, deve estar adequado às capacidades do indivíduo em realizá-lo, de maneira que os estados positivos de humor tendem a ocorrer em pessoas acostumadas e/ou treinadas com o exercício ou quando o próprio indivíduo escolhe como vai se exercitar. No entanto, os resultados são contraditórios e pouca atenção tem sido dada à influência da auto-eficácia e do fluir nas respostas psicológicas. Por outro lado, essas hipóteses não explicam as mudanças positivas que ocorrem após atividades passivas, como relaxamento, ioga, tai-chichuan, alongamento, entre outras. 

          Ioga

Hipótese das endorfinas

Peptídeos opióides endógenos são substâncias envolvidas na regulação de vários processos fisiológicos do sistema nervoso central, atuando como neuro-hormônios e neurotransmissores, sendo classificados em três grandes grupos: encefalinas, dinorfinas e endorfinas. Os primeiros estudos que verificaram as alterações dessas substâncias utilizaram modelos animais, os quais são os únicos que suportam a hipótese de que o exercício altera os níveis desses peptídeos no sistema nervoso central. Dentre os opióides endógenos, a b-endorfina é a substância mais investigada. As endorfinas possuem efeitos analgésicos, eufóricos e adictivos, tendo implicações em diferentes sistemas e fenômenos do organismo.

Devido às suas propriedades, muitos dos efeitos positivos do exercício sobre a saúde mental têm sido atribuídos a uma indução da produção de opióides endógenos, principalmente de b-endorfina, embora os mecanismos que medeiam esta ativação sejam pouco conhecidos. Neste sentido, a hipótese das endorfinas preconiza que o aumento das endorfinas circulantes durante e após o exercício estaria associado a sentimentos de euforia e uma redução da ansiedade, tensão, raiva e confusão mental.

Sabe-se que o aumento das endorfinas circulantes se dá pela ativação do eixo hipotalâmico-pituitário-adrenocortical, podendo ultrapassar até cinco vezes os valores basais, sendo esta resposta variável em função da intensidade e duração do exercício. Os estudos reportam aumentos significativos de endorfina plasmática somente em condições anaeróbias ou acima do limiar anaeróbio.

Por outro lado, exercícios de alta intensidade (acima de 70% VO2máx) e/ou aqueles de longa duração otimizam a liberação de endorfinas, apontando indicações para a prescrição de exercícios físicos com o objetivo de promover melhorias psicológicas.

Entretanto, se as endorfinas estão relacionadas às alterações psicológicas, como  explicar as mudanças de humor após sessões de exercício com intensidades menores que 70% VO2máx e com duração inferior a 60 minutos, nas quais não se verificam mudanças significativas dos níveis de endorfina? E há o fato de que existe uma pequena relação entre os níveis centrais de endorfina com os níveis plasmáticos, uma vez que as endorfinas produzidas no cérebro podem não deixar esta região, pois são impermeáveis à membrana cerebral. Esta pequena relação é um dos problemas para se explicar os níveis aumentados de endorfina no sangue durante e após o exercício e sua relação com as alterações psicológicas. Em segundo lugar, o fato de não se saber exatamente de onde provêm as endorfinas encontradas no sangue durante o exercício torna difícil atribuir qualquer significado funcional ou fisiológico aos seus níveis plasmáticos, uma vez que elas podem ser produzidas por diferentes tecidos.

Em suma, a literatura sobre o assunto ainda apresenta-se incompleta e contraditória, o que impede os pesquisadores de afirmarem sobre o real efeito das endorfinas no bem-estar psicológico dos praticantes de atividades físicas. Existem indicações para o fenômeno, mas que necessitam de novos estudos.

Observou-se que existem diferentes hipóteses para explicação das mudanças psicológicas induzidas pelo exercício, não existindo até o momento um consenso sobre o real mecanismo deste fenômeno. Existem pelo menos dez hipóteses diferentes, mas que isoladamente não oferecem consistência. Em geral, admiti-se que a interação simultânea de mecanismos psicológicos e fisiológicos contribui para a melhoria da saúde mental.

Além disso, os mecanismos de regulação do humor podem ser diferentes considerando as respostas agudas e crônicas ao exercício. E diante da literatura revisada, não foram encontradas evidências que fornecessem consistência científica à hipótese das endorfinas. Neste sentido, essa hipótese tem sido perpetuada mais pelo caráter especulativo do que pelas evidências científicas disponíveis.

Concluindo, a partir da análise crítica da literatura, pode-se dizer que não há como considerar somente as endorfinas como responsáveis pelas alterações psicológicas positivas causadas pela prática de atividades físicas ou por sessões agudas de exercício, assim como nenhuma outra hipótese isoladamente.

Dependendo do indivíduo, do exercício e do ambiente, diferentes fatores em graus variáveis podem contribuir para melhorar o estado de humor das pessoas que se exercitam. Assim como a hipótese das endorfinas, outras hipóteses também possuem resultados contraditórios e insuficientes para que afirmações mais definitivas sejam feitas. Talvez um modelo psicofisiológico, onde interajam fatores psicológicos e fisiológicos, possa ser um importante ponto de partida para uma melhor compreensão do fenômeno.

A despeito da explicação para a melhoria do humor induzida pelo exercício, torna-se relevante salientar que, independente das hipóteses, as atividades físicas têm demonstrado, tanto cientificamente como na subjetividade de seus praticantes, ser um método eficaz e importante na aquisição de benefícios psicológicos e fisiológicos, proporcionando melhores condições de saúde e qualidade de vida. Por isso, aliado ao estudo teórico das alterações psicológicas do exercício, devem ser desenvolvidas estratégias para que todas as pessoas possam desfrutar dos seus benefícios.

Fonte: http://www.novosparadigmas.ucb.br/mestradoef/RBCM/13/13%20-%202/c_13_2_14.pdf, com adaptações.

Leitura complementar sobre hormônios e exercício:

http://www.pucrs.br/fefid/pos/saudedesporto/disciplinas/bioefisio/artigos/respostas%20hormonais%20ao%20exerc%EDcio.pdf 

 

sábado, 14 de junho de 2008

Exercício e diabetes

Aproveitando a apresentação do painel de Bioquímica do diabetes na última quarta, aqui está um texto sobre exercício e diabetes bem interessante, confiram:

Dieta e exercícios moderados reduzem drasticamente o risco de pessoas altamente propensas a diabetes desenvolverem a doença. São mais eficientes até do que um remédio largamente usado para a prevenção. As conclusões são de um dos maiores estudos já feitos sobre a prevenção da diabetes do tipo 2, aquela em que o corpo adquire resistência à insulina, o hormônio que controla a presença de açúcar no sangue.

Os resultados da pesquisa do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos mostram que a redução do risco chega a 58%. Com a droga metformina, a redução é de 31%.

A pesquisa envolveu 3.234 americanos com sobrepeso e glicose elevada, mas ainda não em um nível que caracterizasse a doença. Segundo o instituto, pessoas com esse perfil já são mais de dez milhões somente nos Estados Unidos.

Os participantes foram divididos em três grupos. Um grupo mudou seu estilo de vida: em três anos, seus integrantes diminuíram 5% a 7% do peso e fizeram 30 minutos de exercício moderado (como caminhada) cinco vezes por semana. Ao fim do estudo, 14% deles tinham diabetes. No grupo que tomou metformina, 22% desenvolveram a doença. No grupo que tomou placebo, esse número chegou a 29%.

"A mudança no estilo de vida funcionou igualmente bem em mulheres e homens e em todos os grupos étnicos. Também ajudou pessoas com mais de 60 anos, faixa etária em que a prevalência de diabetes chega a 20%", disse, em um comunicado, o médico David Nathan, que chefiou o estudo.

Fonte: GloboNews.com

Para saber um pouco mais mais sobre como o exercício age sobre doenças como obesidade e diabetes, sugerimos a leitura do artigo a seguir, pois contém informações sobre as doenças citadas especificamente, e algumas algumas das explicações de como o exercício auxilia a prevenir e tratar essas doenças. E ainda não deixem de assistir ao painel do exercício, nesta terça-feira, que facilitará o entendimento de alguns desses processos.

Artigo:  http://www.efdeportes.com/efd93/diabetes.htm

Como o blog de diabetes está muito bom também, dê uma passadinha por lá e aproveite para conhecer mais sobre essa doença, que segundo o artigo do site http://inovacao.scielo.br/scielo.php?script=sci "afeta mais de 170 milhões de adultos no mundo e mais de 5 milhões no Brasil", e conforme disseram no início dá apresentação, todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que tenha alguma forma da doença, por isso, previna-se! E não precisa se restringir de tudo não, exercícios são, como você deve ter lido com os textos indicados, uma forma prazerosa e saudável de se prevenir. Prazerosa também, saiba porque no próximo post.

Vale lembrar que a prática de exercícios físicos exige cautela e instrução, para diabéticos a situação é ainda mais delicada, pois esses pacientes estão sujeitos a uma série de complicações, conforme explicado no painel de diabetes, como a cetose ácida, que pode ocorrer quando se inicia um exercício com a glicemia elevada, porque assim aumenta a lipólise e o acetil-CoA em excesso não consegue ser absorvido pelo ciclo de krebs e formam-se de corpos cetônicos excessivamente.

Blog de diabetes: http://www.diabetesbiobio.blogspot.com